domingo, 14 de setembro de 2008
Show de vizinha
terça-feira, 15 de julho de 2008
Uma nova suíte a respeito do tema: Lei Seca
*Para começar devo explicar que o termo suíte, em jornalismo, significa a reportagem que explora um desdobramento de um fato que foi notícia. Tudo bem que isso aqui não se trata de uma reportagem, mas eu gosto de me aproximar dos termos da minha futura profissão. rsrs
A lei seca está fazendo o maior sucesso (da mesma forma que acontece com qualquer outro novo acontecimento que afete o país de alguma forma) e, por enquanto, a mídia está em cima, vasculhando e expondo tudo o que pode, mas o real motivo dessa veiculação é a busca por audiência, quando esse não for mais um tema de interesse público, "puft", acabou! Ninguém mais ouve falar. E sabe o que vai acontecer quando ninguém mais falar? A fiscalização se tornará mais precária de que já é, ou seja, voltaremos à estaca zero.
Quando não é essa fiscalização precária, nós temos uma corrupção inexplicável. Todos nós sabemos que isso, vergonhosamente, existe em larga escala e está em qualquer lugar inclusive nas blitz que estão ocorrendo em todo o país. Quantos “falsos profissionais” não devem estar abrindo mão da multa em troco de um trocado? (me perdoe o trocadilho) Imagine o quanto isso vai aumentar quando a lei deixar de ser notícia...
Esses foram os dois pontos mais pertinentes que eu destaquei de outra perspectiva e que devem servir de acréscimo ao texto anterior.
Ps.: Bom, eu escrevi um novo texto porque fui alertada por meu pai e por meu namorado a respeito de uma outra vertente da tão comentada lei seca. No principio, quando vi reportagens que declamavam os resultados aparentes da nova lei eu fiquei encantada e não parei para pensar nos prós e nos contras. Por isso reservei esse espaço para comentar um pouco do que absorvi após algumas conversas com essas duas pessoas que me fazem aprender.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Bons frutos os da Lei Seca...

A Lei seca tolera zero de bebida alcoólica e o motorista que for pego desobedecendo-a, além de pagar R$ 955, vai perder a carteira de motorista por 12 meses.
Tudo bem que deve ser difícil para quem toma uma aqui, outra ali, não tomar nada, mas acredito que deve ser muito pior para quem morre, simplesmente porque alguém tomou uma aqui e outra ali!
Só esclarecendo, antes da lei seca era permitido tomar até 6 decigramas de álcool por litro de sangue (equivalente a dois copos de cerveja), medida que poderia ser constatada de imediato pelo bafômetro. Bom, eu posso apostar com quem quiser que eu ficaria bêbada com apenas um copo de cerveja. E então? Será que eu não seria um perigo dirigindo por aí (sim, eu já posso dirigir!!! êêê) após ter ingerido 6 decigramas de álcool por litro de sangue? E como ninguém vai adivinhar o quanto um ou outro pode beber é melhor que ninguém beba nada.
Ps.:Estou orgulhosa com os resultados!
terça-feira, 10 de junho de 2008
Apartamento 102
...
“Anne, ladrão!”. Foi só o que eu ouvi antes de ver a minha irmã entrar desesperada no quarto onde eu estava, bater a porta com força e pular da janela. “Pára!”, “Cuidado!”, “Não faça isso!”. Eu não tive pulso na hora, tamanha a rapidez da situação e o próprio medo que ela me fez sentir com o seu desespero. A minha reação foi pular também da janela, com um pouco mais de cautela – ganhei apenas mais um arranhão no joelho –, olhar como ela estava e sair que nem doida pelo prédio, gritando por socorro. Na verdade eu pulei na intenção de levantá-la do chão e depois sairmos correndo, mas quando vi que tinha sido grave, resolvi pedir ajuda. Branca, com os lábios cinza (claro que eu não me vi na hora, me disseram que era assim que eu estava), olhei para cima e avistei os “ladrões perigosos”: minha mãe e um de meus tios, que vieram nos fazer uma visita surpresa. Não sei o que deu na minha irmã naquela hora para fazer algo do tipo, eram só quatro da tarde e o único barulho “ameaçador” que ela ouviu foi o de uma chave dentro da fechadura. Só fiquei imaginando se foi sorte ou azar morarmos justamente no primeiro andar. Prefiro nem pensar no que poderia ter acontecido se morássemos no quinto, por exemplo, se ela teria a mesma coragem, ou o mesmo medo, porque foi por puro terror que ela pulou.
Como era de se esperar, não demorou para o lugar ficar cheio de gente, que se juntava querendo saber o que tinha acontecido – eu nem sabia que tinha tantos vizinhos – e soltar as frases nada apropriadas no momento: “Meu Deus, por que ela fez isso?”, “Imagina se é do décimo!”. E eu desesperada, tentando consolar a minha mãe, que estava se sentindo culpada, uma Nardoni, como ela mesma disse. Na época estava passando na televisão – constantemente, diga-se de passagem - o caso de uma menina que supostamente havia sido jogada do sexto andar pelo pai, Alexandre Nardoni. Obviamente, o caso de minha irmã nada tinha de semelhante a esse, fora a existência de uma janela, mas mãe é mãe e sempre tem a mania de pegar a culpa para si. “Meu Deus, eu quase mato as minhas duas filhas”. Eu não sabia se ria ou chorava de pena dela. Um abraço e um “deixa de bobagem, mãe”, foi só o que eu soube lhe oferecer. Mas pior que tentar consolá-la, foi provar para mim mesma que eu não tive culpa da queda da minha irmã. Porque sim, eu fiquei pensando que na hora da agonia poderia tê-la empurrado para pular logo em seguida e fugir dos “ladrões”, ou simplesmente me esbarrado sem querer. Culpa, ela disse que eu não tive, que se lembrava muito bem de ter pulado sozinha. Mas, independente disso, eu ainda não consegui esquecer a cena dela caindo, seu corpo batendo desajeitado no chão. Foi horrível!
Por sorte, o SAMU chegou quinze minutos após ser acionado e ela foi logo encaminhada para o hospital. Eu pensei que o atendimento seria imediato, que ela enfaixaria os pés e seria liberada logo em seguida. Me enganei. Aquilo ali estava pior que hospital público. Era gente sendo atendida no meio do corredor, umas tantas pessoas esperando sentadas e minha irmã deitada numa maca, também no meio do corredor de emergência. Vez ou outra, ela entrava numa sala para fazer raios x, que eu também fiz, já que também havia pulado da janela. Quando voltava, fazia um escândalo, gritava, pedia para ser medicada e eu sem ter onde colocar a cara de tanta vergonha. Eu até compreendi que a dor deveria estar sendo realmente insuportável, afinal ela estava com os dois pés quebrados, mas confesso que percebi um certo drama na sua cena. Conheço bem a minha irmã e sei o quanto ela é dengosa. Mas isso não vem ao caso. Naquele momento, tudo era válido, pelo menos assim poderiam ficar compadecidos e atendê-la logo. Como tinha trabalho da faculdade, não pude esperar para ver o resultado e voltei para casa. No dia seguinte, comentei com algumas pessoas o que havia acontecido e elas riram, o que eu aceitei passivamente, afinal a história tinha um certo fundo de humor: uma menina de vinte anos se joga desesperadamente da janela, em plena tarde, porque pensou que um ladrão estava invadindo sua casa. E o mais curioso: o ladrão tinha a chave. Confesso que me peguei rindo algumas vezes, contra minha vontade. Mas não achei graça nenhuma quando fui visitá-la no hospital e soube do resultado dos exames: fratura do calcânio (osso do calcanhar) e fratura exposta do pulso esquerdo. Quando entrei no quarto, a vi com as pernas enfaixadas, o braço esquerdo engessado e uma cara de dar dó. Acho que nunca senti amar tanto a minha irmã. E os dezesseis dias passados no hospital me fizeram comprovar isso.
Quando eu poderia imaginar que um dia estaria num leito de hospital, cuidando de minha irmã ainda jovem e agredindo minhas manias de limpeza? Porque eu sou uma pessoa extremamente chata, que acha que qualquer coisa pode estar infectada e que tem nojo de tudo. Entretanto, me vi durantes dias cuidando de minha irmã, pegando sua urina, lavando suas partes íntimas e passando tardes e tardes num hospital, o tipo de lugar mais nojento que existe - sempre lavando as mãos de minuto em minuto, era mais forte do que eu. Mas, para minha própria surpresa, minhas manias e eu eram o de menos naquele momento. Eu só queria saber de minha irmã. E minha vida passou então a resumir-se a faculdade pela manhã, hospital durante a tarde e casa durante a noite. Minha irmã recebia visita a todo instante, mas estar perto nessas horas faz sempre a gente acreditar que tudo pode ficar melhor. E era assim que eu pensava. Como era triste chegar ao hospital e encontrá-la deprimida, se sentindo uma inútil, como ela sempre falava , ver o rosto abatido de minha mãe e em casa presenciá-la chorando todos os dias. E eu também sentia uma enorme vontade de chorar, mas não podia, porque sabia que isso acabaria fragilizando ainda mais as duas. Procurava sempre esboçar um sorriso amarelo, falar alguma palavra de ânimo – embora a maioria delas não convencesse nem a mim mesma -, ou simplesmente fazer companhia, que nesse tipo de situação é importantíssima. Acho que esses foram os dezesseis dias mais arrastados da minha vida. Por fora eu tentava aparentar estar como sempre, mas por dentro estava um caco, sensível, triste.
Desde o segundo semestre do ano passado, eu e minha irmã – Keu, é esse o seu nome - nos mudamos do interior para Salvador, para que pudéssemos fazer faculdade. Nossos pais e irmão continuaram em Catu, a cidade onde crescemos, e então nós moramos sozinhas. Sempre brincamos de uma assustar a outra, fazendo um barulho, fingindo que vinha alguém, mas depois desse dia, resolvemos nunca mais brincar assim. Com o acidente, eu acabei ficando sozinha durante o tempo que ela estava no hospital. Tinha medo vez ou outra, ia logo ver se tinha alguém em casa quando escutava um barulho, mas difícil mesmo estava sendo ficar sem ela. Eu sempre gostei de ficar sozinha no meu canto, tratando de entender minhas próprias idéias, mas já estava enjoada de mim mesma. Minha irmã fazia uma falta imensa, não havia um dia sequer em que eu não pensasse nela e até quem me via no ponto de ônibus percebia que eu estava triste. Desde o dia 16 de abril - se não me engano-, as vezes em que eu ficava realmente feliz eram quando ia vê-la no hospital , até mesmo quando tinha que castigar minha escoliose e carregá-la no colo para tomar banho ou fazer qualquer outra coisa. Ficava pensando que a necessidade faz realmente a especialidade. Eu, uma pessoa que não tem o mínimo dom e muito menos paciência para cuidar de alguém, tive que aprender a fazer isso, ouvir sem reclamar as frases mal-humoradas de minha irmã e, o mais importante, entender que ser sozinho não é nada bom. Descobri de uma maneira muito triste como devemos dar valor às pessoas, pois em um simples instante elas já podem não estar ao nosso lado. E que os irmãos são sim importantes para nós, por mais que muitas vezes neguemos isso. Porém, o difícil de tudo aquilo não era estar aprendendo essa lição, que na verdade me acrescentou muito, mas ter que fingir para os outros e para mim mesma - sou muito cabeça dura e desconfiada e não me sinto à vontade para falar dos meus problemas com ninguém - que estava tudo bem. Afinal, talvez até estivesse. No fundo eu nunca me senti verdadeiramente feliz. Acho que apenas havia encontrado um bom motivo para chorar e afogar as mágoas. Mas naquele momento eu estava sem tempo para pensar nisso. Mais uma vez, minha irmã me chamou : “Anne, quero fazer xixi”.
sábado, 24 de maio de 2008
Intolerância
morto a tiro”
Essa foi a notícia que me acordou hoje pela manhã....na verdade eu já estava no trabalho quando a li, mas parecia ainda estar na cama. (sábado, manhã, muito cedo, trabalhando para as moscas)
Briga no trânsito! Morte! Jovem de 18 anos! Mãe que sonhou com um desastre. Essas foram as palavras que se repetiam insistentemente na minha cabeça e me deixavam cada vez mais assustada. A brutalidade em conjunto com a banalização da vida humana fizeram com que um homem, ao lado da sua picape Montana (provavelmente de ouro), matasse um jovem de 18 anos. Motivo? Uma colisão na traseira do seu carro, sem muitos danos.
Para começar, esse homem não deveria ter uma arma em seu carro, se ele tem é porque, a qualquer momento, outras pessoas podem morrer. Será que podemos jogar a culpa desse armamento na legalização do porte de armas decidido por um referendo em 2005? Em outros tempos eu diria que sim, porém, hoje eu entendo que a ilegalização do mesmo não alteraria muita coisa, visto que é relativamente fácil possuir armas ilegais devido a uma fiscalização totalmente precária que nós temos com relação a isso. Então o que é preciso fazer para que casos como esse deixem de existir? Até agora estou procurando uma resposta.
O fato é que a intolerância de um homem custou a vida de um jovem, situação que poderá se repetir, já que brigas de trânsito acontecem a todo momento e, se em uma dessas aparecer uma arma, dificilmente ela não será utilizada.
Ps.:A mãe do rapaz havia sonhado com um acidente envolvendo o filho e pediu para que ele não saísse de casa, o pedido foi primeiramente atendido, porém, o jovem não resistiu ao convite dos amigos de ir para a festa de uma amiga e, ao voltar para casa, aconteceu o incidente.
Para ver a matéria: http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=888565
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Boa Pergunta...
A partir dessa reflexão, preferi me concentrar na última pergunta e, dessa forma, formulei um conceito sólido que subdivide o jornalismo em dois elementos: O jornalismo preguiçoso, no qual atuam jornalistas preguiçosos (bem óbvia essa observação) e o jornalismo “sério”, no qual atuam jornalistas interessados em transmitir uma informação construtiva.
O jornalista preguiçoso não lê, não pesquisa, desenvolve questões apenas com o intuito de polemizar, sem um embasamento teórico. Esse é o tipo de jornalista que eu não pretendo ser (diga-se de passagem).
Por outro lado, encontramos o jornalista intitulado por mim como “sério”, que observa um fato, “vasculha”, pesquisa, lê muito, e, sem discriminação, está aberto a todas as possibilidades, chegando assim a uma notícia de qualidade.Esse tipo de jornalista “sério” me faz lembrar a raposa-vermelha, que procura a sua presa, percebe a sua presença e não desiste até conseguir “consumi-la”. Sendo que, versátil como é, a raposa não discrimina, ela sempre está aberta sabores diferentes, digamos assim. No seu cardápio, podemos encontrar lagartos, cobras, ratos, ovelhas, aves e até frutas. Assim deve ser o jornalista, livre de preconceitos e capaz de realizar suas tarefas com imparcialidade e competência.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Inimigos sim...aliados também
Em uma situação de dificuldade, é comum ouvirmos dos nossos amigos que somos bons, que temos capacidade. Mas isso nem sempre funciona. Pode ocorrer de eles usarem palavras que parecem certas no momento. Contudo, no fundo sabemos que eles estão apenas querendo nos animar, nos fazer voltar a ter fé na vida ou em algum sonho que parece impossível.
Já os nossos inimigos não. Eles sim, mexem com nossos instintos e nos fazem querer superar os limites. É para eles que queremos nos mostrar inteligentes, superiores, invencíveis. São eles que nos fazem dar o melhor que há em nós para alcançarmos êxito em algo. São eles que põem à prova o nosso domínio próprio, nossa capacidade de raciocínio e de reagir em um momento desastroso.
Nossos inimigos nos deixam “despidos”, nos mostram nossos pontos fracos e nos obrigam a descobrirmos os fortes para que assim nos cubramos de ousadia e coragem. Eles são nossos maiores incentivadores. Criam em nós um desejo cada vez maior de vitória, de sucesso, e com isso nos levam a usar todas as armas possíveis, principalmente as armas da inteligência.
Gratos devemos ser a esses seres que nos tiram do sério, que nos fazem sentir ódio, pois eles são os maiores responsáveis pelo nosso desenvolvimento, tanto como pessoas quanto como seres pensantes. É o prazer do desafio, do novo, de no final triunfarmos sobre eles, que nos motiva a aprender e descobrir mais, para que estejamos sempre preparados para um embate.
Inimigos. Combustível da nossa capacidade criativa. Com seus questionamentos e tentativas de nos ver em “saias justas”, nos obrigam a questionarmos mais sobre os fatos, sobre nossas próprias idéias. Sem querer, enriquecem nossa visão de mundo e até o nosso vocabulário. Afinal, quem nunca passou horas a fio formulando uma resposta, buscando palavras “difíceis” no dicionário, para fazer frente a um inimigo e vê-lo totalmente desconsertado?
O que desejamos de fato é que essas pessoas que não nos dão crédito passem a nos admirar, que entendam que “nós somos”, que “nós podemos”. Desejamos ouvir, não dos nossos amigos, mas daquela pessoa, aquela que vive nos inferiorizando com gestos, palavras e atitudes, que realizamos bem uma tarefa. Por isso essa busca pelo perfeccionismo cada vez maior que eles fazem surgir em nós. Por isso, o desejo de fazermos tudo sem erros, sem faltas, o que acaba extraindo de nós o que há de melhor.
A dúvida, a descrença na nossa capacidade, é o que nos encoraja a provar para nós mesmos, e principalmente para os outros, que podemos conseguir tudo que queremos, desde que lutemos e usemos bem o nosso intelecto. E essa luta quem cria são nossos benditos inimigos, sempre dispostos a nos ofender, nos fazer querer “dar o troco”, nos encorajar para os desafios, atiçar nossos instintos e, sem querer, nos preparar para a vida, para as dificuldades, para o “impossível”.
Aos nossos inimigos, vida e saúde, para que aplaudam de pé a nossa vitória.