quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Para os que apenas criticam o carnaval de Salvador...

O carnaval de salvador possui uma identidade própria e uma popularidade inestimável. É fato que está elitizado e que comprar um abadá ou um passaporte para um camarote custa cada vez mais caro. Mas, ainda assim, o público não deixa de ir e se divertir, seja rodeado de cordas ou não. O que me deixa intrigada são as pessoas que aproveitam os dias de folga do carnaval para falar mal do mesmo.

Eu não entendo porque a alegria de tanta gente incomoda tantas outras. Se o folião está se encostando em desconhecidos suados e não se importam de ficar pulando sem parar, é problema de quem?? Certamente não é meu nem seu! Caramba, se não gosta, vai pra outra cidade, desliga a televisão, lê um livro, faz a assinatura de uma TV fechada!! Escapa! É mais fácil um ou outro mudar o percurso do que cerca de 3 milhões de pessoas mudarem!!

Ainda tem a questão da fome no mundo, da guerra, etc., é bem verdade que é difícil a mesma quantidade de gente se reunir com a intenção de arrecadar alimentos para doação ou coisa assim, mas é bem verdade também que não existe incentivo de parte nenhuma para que isso aconteça. Não que seja necessário incentivo para ajudar o próximo, mas eu me conheço, eu conheço a minha raça (humana). Quem critica a festa, fica apenas nisso, não propõe soluções nem alternativas. Quantos destes ao menos já visitaram um asilo, um orfanato ou um hospital? É complicado ficar atirando pedras para cima quando o nosso teto é de vidro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mais uma vez o BBB está no ar...


Eu prefiro não criticar quem assiste assiduamente ao Big Brother Brasil, BBB, até porque por muito tempo eu fui telespectadora desse reality show que não acrescentou nada à minha vida. - Podem me dar um desconto, quando o BBB começou, eu tinha uns 11 anos e assistia qualquer coisa. - Entretanto, depois de 8 anos na mesma tecla eu, gradativamente, consegui ter discernimento para perceber que aquilo tudo é uma merda! Claro que se eu estivesse concorrendo a 1 milhão seria super atraente para mim e para minha família...mas, sinceramente, eu vou ficar dando ibope pra um monte de gente que não ta fazendo nada de produtivo e que, por isso (imagine só), ainda pode ficar rico do dia pra noite!?!
Infelizmente a televisão da minha casa só permite que eu assista, e muito mal, a Rede Globo, sendo assim, ontem eu tive que assistir mais uma vez esse programa que Pedro Bial apresenta com tanto entusiasmo. Será que ele não se cansa dessa mesmice? Dessa falta do que apresentar? Mas, se isso ainda distrai os brasileiros... o que mais fazer além de deixá-lo no ar? Pelo menos alguém além da Globo enriquece com isso...
Ps.: Já tratei de comprar um livro para me ocupar nesse tempo livre.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Eu sou o mensageiro

A menina que roubava livros foi a minha primeira leitura do autor Marcus Zusak. Eu fiquei completamente encantada com o livro e, como de costume, me envolvi com a história de cada personagem. Alguns meses depois eu tive a felicidade de ganhar outra obra de Zusak que, apesar de ter sido escrita anteriormente à “Menina”, não recebeu tanta repercussão quanto.
Em seis dias apenas, entre trabalho e faculdade, eu conheci toda a trajetória de Ed Kennedy e mais uma vez me envolvi. O livro transmite uma realidade tão intensa que parece estar acontecendo em tempo real. As palavras que o autor usa são comuns aos jovens e nós conseguimos conversar com ele.
O enredo de “Eu sou o mensageiro” é contado na primeira pessoa pelo personagem principal: Ed Kennedy, rapaz de 19 anos que fala da sua própria vida, de todo o seu fracasso e, sem se envergonhar disso, ele faz vários questionamentos sobre a importância da sua existência. Querendo ou não, Ed nos faz refletir sobre o que nós fazemos das nossas vidas. Alguém vai lembrar de alguma coisa que a gente fez?
Certamente Ed sempre será lembrado por todas as pessoas que foram beneficiadas depois que o narrador descobriu a sua missão: ajudar aos outros. Missão essa que foi determinada por um misterioso qualquer que confiou nele, mesmo conhecendo todo a sua trajetória de “derrota”, com uma mãe que o odeia por ele parecer com o pai (que faleceu à seis meses), uns amigos que são tão fracassados quanto ele, um amor não correspondido e um emprego que não lhe acrescenta em nada.
Ed Kennedy, com o “empurrãozinho” que teve, conseguiu melhorar de alguma forma a vida de muitas pessoas, incluindo a sua. Ele aprendeu como fazer e não vai parar por aí.


P.s.1: Se Ed conseguiu fazer tudo aquilo, qualquer outra pessoa pode fazer também. Sim. Ed não foi apenas o mensageiro, mais do que isso: ele é a mensagem.
P.s.2: Obrigada pelo presente meu amor!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sanidade individualista

Uma poesia, só para matar minha vontade de postar no Blog depois da "reforma":

Quem vai falar aos loucos
da sandice que os cerca?
Quem vai abrir os olhos
de quem vê e nada enxerga?
Como estragar a alegria
de quem se contenta com pouco?
E como pedir em dobro
de quem não desfruta dela?
Abafem as vozes, porque no fundo
ninguém quer mesmo falar.
Afastem suas mãos ferozes
do alcance de quem teme se machucar.
Bebam suas próprias certezas
em taças de ouro, porque apenas
os tolos escolhem se enganar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Escola filantrópica incentiva o estudo em horário integral


Acordar todos os dias bem cedinho e ir para a escola de segunda à sexta é uma rotina comum a qualquer estudante do ensino médio, da mesma forma acontece com os alunos do Colégio Técnico da Fundação José Carvalho, CTFJC, situada em Pojuca. O que diferencia-os dos outros está no decorrer do dia, quando, ao invés de irem para casa, eles continuam com suas atividades dentro da escola.
As aulas pela manhã começam às 07h40min e terminam às 12h45min, os alunos almoçam e às 14hrs o turno da tarde começa. Cada professor possui uma sala para que os alunos possam tirar dúvidas da disciplina, a biblioteca também continua disponível para estudos nesse turno. Fica a critério de cada um decidir se precisa ou não alongar o seu período na escola para estudar, independente disso, todos os dias esse apoio é oferecido a eles. Porém, quando se trata das aulas de reposição, ou aula das disciplinas Educação Física e Informática, que são realizadas à tarde, os estudantes têm a obrigação de participar.
“Normalmente, fico no colégio três ou quatro dias na semana, sendo que dois dias são obrigatórios.” Afirma Victória Cedraz, aluna do 2° ano. Para Luciane Almeida, hoje estudante de Jornalismo, ao mesmo tempo que era algo cansativo e estressante, ficar na escola pela tarde, era também prazeroso, pois o almoço em família, que já não existia, passou a ser compartilhado com os amigos.
Além da estrutura montada para os estudos, o CTFJC, também está equipado com quadra poliesportiva, piscina, campo de futebol, salão de jogos, pista de atletismo e uma paisagem belíssima que estimulam a vontade de estar na escola, mesmo que, para ter acesso a esses lugares, seja preciso o acompanhamento de um professor. “Há alguns meses comecei a praticar Tiro esportivo, na categoria Damas, por incentivo do meu professor de Educação Física, Jorge Cajazeira. Ganhei o bronze no campeonato baiano.” Afirma Victória Cedraz.
Ao ser questionado a respeito das vantagens que o estudo em horário integral proporciona Jorge Ubiratã, professor de História do colégio, afirma que com esses moldes há um maior aprofundamento das discussões sobre as disciplinas, oportunidade de desenvolvimento de Projetos interdisciplinares, melhor integração entre os professores, funcionários e alunos, aproximação maior entre corpo docente e discente, além da eliminação de dúvidas pendentes. Para ele há, sem dúvida, uma melhoria significativa no rendimento, no entanto, ela depende da disposição do aluno em comparecer às tardes e acompanhar as atividades que a escola proporciona no turno oposto.
O CTFJC foi fundado em 1975 na cidade de Pojuca, pelo engenheiro José Carvalho, dono Cia de Ferro Ligas da Bahia, FERBASA, que cresceu profissionalmente devido a bolsas de estudos que recebeu durante a juventude. Para ingressar nessa escola os alunos precisam fazer um teste de seleção e, caso perca em algum ano, tem que sair da instituição.



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O cúmulo da busca por audiência

Sônia Abrão nunca foi referência de nada para mim, ela simplesmente apresentava um programa ruim em uma emissora ruim. Mas hoje, ao saber (com atraso de no mínimo 4 dias) da “entrevista” feita de surpresa e por telefone à Lindemberg, seqüestrador que dispensa apresentações, eu me senti realmente envergonhada e passei a tê-la como uma desumana.

Será possível que os responsáveis por esse programa, “A tarde é sua”, não tiveram noção do mal que eles estavam fazendo às vítimas, já que com essa atitude irresponsável contribuíram para o nervosismo do seqüestrador? O “repórter” Luiz Guerra que fez a entrevista até mentiu para Lindemberg dizendo que era um amigo da família... Além disso, o tempo que eles ficaram conversando no telefone atrapalhou o contato do negociador com o rapaz! aaaa façam-me um favor, isso lá é jornalismo?? Eu não estou aprendendo isso na academia!

Apesar de ser o mais desprezível, infelizmente esse não foi um caso isolado de busca por audiência à custa da tragédia. Praticamente todas as emissoras transformaram o episódio em uma série que lhe renderia público. Isso me lembrou muito o caso da “menina Isabela” que se tornou um show, com a mídia tentando desvendar o crime e apontar o assassino. É sempre assim, os meios de comunicação sugam ao máximo um fato de grande repercussão até que simplesmente esquece, e ficam em busca de uma nova notícia que lhe tragam mais audiência. Este é um ciclo que se renova a cada acontecimento fora do comum.

PS.:É claro que com essa crítica eu não estou tirando a responsabilidade do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) que agiu de forma despreparada, muito menos do próprio seqüestrador que me fez, por um momento, desejar que a pena de morte fosse uma realidade no Brasil.

Quem tiver interesse de ver a entrevista é só acessar: http://br.youtube.com/watch?v=Y3oTNzkxUQE

domingo, 14 de setembro de 2008

Show de vizinha

“Trabalhador é baleado e morto em tiroteio”, “Estudante é estuprada em universidade”. Eu vou vendo o noticiário e ficando estarrecida. Não que a violência seja novidade para mim. Sei bem que o Brasil é campeão nisso e que a nossa cidade (agora também é minha) vive um dos momentos mais violentos. Arrastão, tiroteio, seqüestro relâmpago, estupro. Parece que isso tudo virou coisa muito normal por aqui (ou será que sempre foi?). Aqui. É isso que me deixa maluca! Não é só em São Paulo, no Rio ou em qualquer outro lugar distante, é aqui, onde eu vivo agora. Vinda de uma cidade do interior (ai, que saudade da paz – comparada a Salvador – de minha Catu), cresci num lugar onde crimes de assassinatos e estupros não eram tão comuns. E como eu posso não sentir medo se, enquanto vejo o jornal na TV, escuto o apresentador dizer que o pai de três filhos, que voltava do trabalho, foi vítima de uma bala perdida e morto num lugar tão próximo a mim? Logo ali, no outro bairro, logo ali, no mercado onde eu faço compras, logo ali, na esquina. Logo ali, logo aqui. Ai, esse aqui me incomoda tanto! Sempre me senti segura ao andar pelas ruas da cidade de onde vim, mas agora penso duas vezes até mesmo para ir comprar o pão. Quando eu poderia imaginar, se não fosse em uma caçada jornalística e ganhando para isso, que eu poderia ficar bem no meio de um tiroteio? Quando eu poderia imaginar que ia morar num condomínio de onde saem as drogas de todo o bairro? Assusta. Apavora. A pessoa fica mesmo apreensiva ao sair para pegar um ônibus, desconfia da outra que corre apressada para não perdê-lo e até ensaia reações no caso de ser vítima de um assalto – como se isso adiantasse. Ela pede com mais veemência pela segurança da irmã que está indo para a faculdade, pela própria segurança. E ainda escuta uma amiga falar que já foi assaltada umas três vezes (no meu caso essa amiga é a Elis, minha companheira aqui do blog). “Meu Deus, e se fosse comigo?”. Não sei como reagiria a algo do tipo. Certa vez, um menino roubou o colar de uma amiga minha e eu corri em disparada atrás dele (de vestido, salto alto e tudo). Caímos em plena encruzilhada. Bem, eu não tive nada de heroína ao fazer isso. Na mesma semana, vi passar na TV que um turista havia sido atropelado e morto ao fazer a mesma coisa que eu. Então não, eu não saberia como reagir. Choraria? Gritaria? Prefiro não ser assaltada para descobrir. Além de mais grossa e menos solidária, porque já não abro a porta para quem vem pedir ajuda, me tornei uma medrosa de primeira. Tranco as portas, as janelas, a minha “cara”, e fico da varanda observando o show de vizinha que fui arrumar. Eu, hein, queria mesmo era me mudar daqui!