domingo, 5 de abril de 2009

Jabá

Os meios de comunicação de massa são importantes formadores da opinião pública, principalmente quando se fala em jornalismo. Isso porque, na teoria, o jornal deve transmitir a verdade pura e clara aos espectadores e leitores, tornando-se digno de confiança. Contudo, alguns fatores podem contribuir para que a transmissão da notícia não aconteça de forma tão transparente.
O mundo está inserido em valores mercadológicos, onde o importante é ter “poder” econômico e, assim, “poder” ditar as regras. Este princípio rodeia todas as áreas profissionais, inclusive os transmissores de notícias, que muitas vezes se vêem obrigados a desconstruir o ideal da imparcialidade para satisfazer a necessidade da empresa e não a do seu público.
Se por um lado alguns jornalistas são obrigados a mudar o seu discurso, por outro existem os que o fazem por própria vontade. Estes são influenciados pelo o tão comentado “jabá”, uma espécie de cortesia oferecida ao jornalista que pode vir, no menor dos casos, em forma de canetas, bolsas, bloquinhos de papel, canecas... que geralmente são enviados por assessorias de imprensa. Mas o que preocupa são os presentes de maior valor financeiro.
Existem vários casos, principalmente em editorias de turismo, de profissionais que ganham viagens para hotéis, resorts, clubes ou até “visitas” internacionais com tudo pago. Mas como escrever mal sobre uma empresa que lhe ofereceu tudo do bom e do melhor? Aí está o impasse. Será que dá para ser imparcial nesses casos? Essa é uma questão constantemente discutida entre jornalistas. Alguns preferem dispensar oferta, mas outros afirmam que tem como ser fiel ao código de ética mesmo aceitando as cortesias.
Para amenizar os efeitos que um presente desses pode causar, é essencial que em algum lugar da matéria fique explícito que o “passeio” foi oferecido gratuitamente ao repórter. Dessa forma, o receptor da notícia vai poder aguçar seu olhar crítico para o que está sendo transmitido.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Aborto, não! [?]

Aborto é crime. Crime? Até que ponto? Até onde uma pessoa pode ser considerada culpada por “tirar” a vida de outra?

Fui nascida e criada no Evangelho e, de acordo com a educação cristã que recebi - e até independente dela-, sou totalmente contra o aborto. Contra até o ponto em que tenha havido uma consciência do que foi feito para gerar uma criança, até o momento em que uma mulher, por vontade própria, resolveu correr os riscos de se encontrar na condição de grávida. E não apenas uma mulher, mas também uma adolescente que não foi responsável o bastante para prevenir-se. Mas... Como querer atirar pedras em uma pessoa que foi vítima de uma violência? Como querer dizer o que é certo ela fazer quando isso significa mudar o curso de toda a sua vida e, até pior, pôr em risco a sua própria vida?

Os jornais têm mostrado recentemente o caso de uma menina de apenas nove anos (eu diria que “pasmem”, mas, infelizmente, isso já se tornou tão comum) que foi abusada sexualmente pelo padrasto, ficou grávida de gêmeos e foi submetida ao aborto. De acordo com os médicos, tratava-se de uma gravidez de alto risco, já que o corpo e os órgãos da menina ainda não estão prontos para suportar uma gestação. A mãe não quis correr o risco. A lei assegura a escolha. Mas a Igreja... Ah, a Igreja Católica, representada pela figura do arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho, achou certo excomungar todos que participaram do processo abortivo. A menina foi “perdoada”, por ser julgada inocente. E o padrasto? Bem, talvez o crime cometido por ele não tenha sido tão grave assim, pois ele continua em comunhão com a Igreja.

O arcebispo afirmou que devemos salvar vidas, e não tirar. Mas tentar manter essa gravidez não seria como decretar a morte da criança, já que a medicina, a real entendida do assunto, assegurou os riscos que ela correria? E como seria para essa menina ter que assumir uma responsabilidade tão cedo? Que amor ela poderia dar aos filhos – caso todos saíssem vivos dessa – ao lembrar-se da maneira como eles chegaram até ela?

Qualquer aborto, independente das razões que tenham levado até ele, é um assassinato, pois se interrompe a vida de um ser que estava se formando. Mas, sem fazer questão alguma do perdão e da benção do arcebispo, afirmo que não pensaria duas vezes antes de me submeter a um, caso fosse vítima de estupro. Eu não saberia olhar com bons olhos o fruto de uma covardia e de uma violência revoltantes. Eu desconheceria o amor de mãe. Assim como o arcebispo desconhece o amor de pai e não tem tanta moral assim para julgar certo pôr em risco a vida de uma filha.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Para os que apenas criticam o carnaval de Salvador...

O carnaval de salvador possui uma identidade própria e uma popularidade inestimável. É fato que está elitizado e que comprar um abadá ou um passaporte para um camarote custa cada vez mais caro. Mas, ainda assim, o público não deixa de ir e se divertir, seja rodeado de cordas ou não. O que me deixa intrigada são as pessoas que aproveitam os dias de folga do carnaval para falar mal do mesmo.

Eu não entendo porque a alegria de tanta gente incomoda tantas outras. Se o folião está se encostando em desconhecidos suados e não se importam de ficar pulando sem parar, é problema de quem?? Certamente não é meu nem seu! Caramba, se não gosta, vai pra outra cidade, desliga a televisão, lê um livro, faz a assinatura de uma TV fechada!! Escapa! É mais fácil um ou outro mudar o percurso do que cerca de 3 milhões de pessoas mudarem!!

Ainda tem a questão da fome no mundo, da guerra, etc., é bem verdade que é difícil a mesma quantidade de gente se reunir com a intenção de arrecadar alimentos para doação ou coisa assim, mas é bem verdade também que não existe incentivo de parte nenhuma para que isso aconteça. Não que seja necessário incentivo para ajudar o próximo, mas eu me conheço, eu conheço a minha raça (humana). Quem critica a festa, fica apenas nisso, não propõe soluções nem alternativas. Quantos destes ao menos já visitaram um asilo, um orfanato ou um hospital? É complicado ficar atirando pedras para cima quando o nosso teto é de vidro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mais uma vez o BBB está no ar...


Eu prefiro não criticar quem assiste assiduamente ao Big Brother Brasil, BBB, até porque por muito tempo eu fui telespectadora desse reality show que não acrescentou nada à minha vida. - Podem me dar um desconto, quando o BBB começou, eu tinha uns 11 anos e assistia qualquer coisa. - Entretanto, depois de 8 anos na mesma tecla eu, gradativamente, consegui ter discernimento para perceber que aquilo tudo é uma merda! Claro que se eu estivesse concorrendo a 1 milhão seria super atraente para mim e para minha família...mas, sinceramente, eu vou ficar dando ibope pra um monte de gente que não ta fazendo nada de produtivo e que, por isso (imagine só), ainda pode ficar rico do dia pra noite!?!
Infelizmente a televisão da minha casa só permite que eu assista, e muito mal, a Rede Globo, sendo assim, ontem eu tive que assistir mais uma vez esse programa que Pedro Bial apresenta com tanto entusiasmo. Será que ele não se cansa dessa mesmice? Dessa falta do que apresentar? Mas, se isso ainda distrai os brasileiros... o que mais fazer além de deixá-lo no ar? Pelo menos alguém além da Globo enriquece com isso...
Ps.: Já tratei de comprar um livro para me ocupar nesse tempo livre.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Eu sou o mensageiro

A menina que roubava livros foi a minha primeira leitura do autor Marcus Zusak. Eu fiquei completamente encantada com o livro e, como de costume, me envolvi com a história de cada personagem. Alguns meses depois eu tive a felicidade de ganhar outra obra de Zusak que, apesar de ter sido escrita anteriormente à “Menina”, não recebeu tanta repercussão quanto.
Em seis dias apenas, entre trabalho e faculdade, eu conheci toda a trajetória de Ed Kennedy e mais uma vez me envolvi. O livro transmite uma realidade tão intensa que parece estar acontecendo em tempo real. As palavras que o autor usa são comuns aos jovens e nós conseguimos conversar com ele.
O enredo de “Eu sou o mensageiro” é contado na primeira pessoa pelo personagem principal: Ed Kennedy, rapaz de 19 anos que fala da sua própria vida, de todo o seu fracasso e, sem se envergonhar disso, ele faz vários questionamentos sobre a importância da sua existência. Querendo ou não, Ed nos faz refletir sobre o que nós fazemos das nossas vidas. Alguém vai lembrar de alguma coisa que a gente fez?
Certamente Ed sempre será lembrado por todas as pessoas que foram beneficiadas depois que o narrador descobriu a sua missão: ajudar aos outros. Missão essa que foi determinada por um misterioso qualquer que confiou nele, mesmo conhecendo todo a sua trajetória de “derrota”, com uma mãe que o odeia por ele parecer com o pai (que faleceu à seis meses), uns amigos que são tão fracassados quanto ele, um amor não correspondido e um emprego que não lhe acrescenta em nada.
Ed Kennedy, com o “empurrãozinho” que teve, conseguiu melhorar de alguma forma a vida de muitas pessoas, incluindo a sua. Ele aprendeu como fazer e não vai parar por aí.


P.s.1: Se Ed conseguiu fazer tudo aquilo, qualquer outra pessoa pode fazer também. Sim. Ed não foi apenas o mensageiro, mais do que isso: ele é a mensagem.
P.s.2: Obrigada pelo presente meu amor!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sanidade individualista

Uma poesia, só para matar minha vontade de postar no Blog depois da "reforma":

Quem vai falar aos loucos
da sandice que os cerca?
Quem vai abrir os olhos
de quem vê e nada enxerga?
Como estragar a alegria
de quem se contenta com pouco?
E como pedir em dobro
de quem não desfruta dela?
Abafem as vozes, porque no fundo
ninguém quer mesmo falar.
Afastem suas mãos ferozes
do alcance de quem teme se machucar.
Bebam suas próprias certezas
em taças de ouro, porque apenas
os tolos escolhem se enganar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Escola filantrópica incentiva o estudo em horário integral


Acordar todos os dias bem cedinho e ir para a escola de segunda à sexta é uma rotina comum a qualquer estudante do ensino médio, da mesma forma acontece com os alunos do Colégio Técnico da Fundação José Carvalho, CTFJC, situada em Pojuca. O que diferencia-os dos outros está no decorrer do dia, quando, ao invés de irem para casa, eles continuam com suas atividades dentro da escola.
As aulas pela manhã começam às 07h40min e terminam às 12h45min, os alunos almoçam e às 14hrs o turno da tarde começa. Cada professor possui uma sala para que os alunos possam tirar dúvidas da disciplina, a biblioteca também continua disponível para estudos nesse turno. Fica a critério de cada um decidir se precisa ou não alongar o seu período na escola para estudar, independente disso, todos os dias esse apoio é oferecido a eles. Porém, quando se trata das aulas de reposição, ou aula das disciplinas Educação Física e Informática, que são realizadas à tarde, os estudantes têm a obrigação de participar.
“Normalmente, fico no colégio três ou quatro dias na semana, sendo que dois dias são obrigatórios.” Afirma Victória Cedraz, aluna do 2° ano. Para Luciane Almeida, hoje estudante de Jornalismo, ao mesmo tempo que era algo cansativo e estressante, ficar na escola pela tarde, era também prazeroso, pois o almoço em família, que já não existia, passou a ser compartilhado com os amigos.
Além da estrutura montada para os estudos, o CTFJC, também está equipado com quadra poliesportiva, piscina, campo de futebol, salão de jogos, pista de atletismo e uma paisagem belíssima que estimulam a vontade de estar na escola, mesmo que, para ter acesso a esses lugares, seja preciso o acompanhamento de um professor. “Há alguns meses comecei a praticar Tiro esportivo, na categoria Damas, por incentivo do meu professor de Educação Física, Jorge Cajazeira. Ganhei o bronze no campeonato baiano.” Afirma Victória Cedraz.
Ao ser questionado a respeito das vantagens que o estudo em horário integral proporciona Jorge Ubiratã, professor de História do colégio, afirma que com esses moldes há um maior aprofundamento das discussões sobre as disciplinas, oportunidade de desenvolvimento de Projetos interdisciplinares, melhor integração entre os professores, funcionários e alunos, aproximação maior entre corpo docente e discente, além da eliminação de dúvidas pendentes. Para ele há, sem dúvida, uma melhoria significativa no rendimento, no entanto, ela depende da disposição do aluno em comparecer às tardes e acompanhar as atividades que a escola proporciona no turno oposto.
O CTFJC foi fundado em 1975 na cidade de Pojuca, pelo engenheiro José Carvalho, dono Cia de Ferro Ligas da Bahia, FERBASA, que cresceu profissionalmente devido a bolsas de estudos que recebeu durante a juventude. Para ingressar nessa escola os alunos precisam fazer um teste de seleção e, caso perca em algum ano, tem que sair da instituição.